Flamengo Campeão Carioca de 1963

.:: Campeonato Carioca de 1963 ::.
Imagens do Fla-Flu de 1963, Flamengo campeão carioca.
Crédito da Imagem: oglobo.globo.com/Henry-Romero/Reuters
Ficha Tecnica
Flamengo 0 x 0 Fluminense
Campeonato Carioca de 1963
Ficha Técnica
• Competição (Tournament): Campeonato Carioca de 1963 – 24ª Rodada
• Data (Date): Domingo, 15 de Dezembro de 1963, às 14:45 hs
• Estádio (Stadium): Jornalista Mário Filho “Maracanã”, no Rio de Janeiro/RJ
• Público (Attendance): 177.656 pagantes (Total: 194.603) – Renda: CR$ 57.993.500,00
• Árbitro (Referee): Cláudio Magalhães (RJ)
• Assistente 1 (Assistant Referee 1): Sem Registro
• Assistente 2 (Assistant Referee 2): Sem Registro
• Advertências (Cautions): Sem Registro
• Expulsão (Sent Off): Nenhuma
Clube de Regatas do Flamengo Fluminense Footbal Club
GO
LD
ZA
ZA
LE
MC
MC
AT
AT
AT
AT
Marcial
Murilo
Luís Carlos
Ananias
Paulo Henrique
Carlinhos
Nelsinho
Espanhol
Airton
Geraldo
Oswaldo
GO
LD
ZA
ZA
LE
MC
MC
AT
AT
AT
AT
Castilho
Carlos Alberto Torres
Procópio
Dari
Altair
Oldair
Joaquinzinho
Edinho
Manuel
Evaldo
Escurinho
Técnico (Coach): Flavio Costa Técnico (Coach): Fleitas Solich
Sem Registro de Substituições Sem Registro de Substituições
Tempo Regulamentar Prorrogação Penalidades
1º T 2º T Final 1º T 2º T Final Normal Altern Final
0 x 0 0 x 0 0 x 0
Observações
# Com esse resultado o Flamengo sagou-se campeão Carioca;
# O Flamengo jogava pelo empate;
# As roletas registraram inacreditáveis 194.603 presentes. Em toda a história do Maracanã, apenas dois jogos superaram esta marca (Brasil 1 x 2 Uruguai, 16/07/1950, 199.854 presentes; e Brasil 4 x 1 Paraguai, 21/03/1954, 195.513 presentes). O número de pagantes também foi espantoso: 177.656 pessoas pagaram ingresso. Em toda a história do Maracanã, apenas um jogo superou esta marca (Brasil 1 x 0 Paraguai, 31/08/1969, 183.341 pagantes);
# Flamengo: Camisa Rubro-Negra, Calção Branco e Meias Rubro-Negras;
# Fluminense: Camisa Tricolor, Calção Branco e Meias Brancas;
# Público pagante: 177.656 (o maior da história em jogos entre clubes no mundo).
# Público presente: 194.603 (o maior da história em jogos entre clubes no mundo).
# Renda: CR$ 57.993.500,00 (recorde histórico na época)
# Noticias da Partida: jornalheiros.blogspot.com.br
# Noticias da Partida: www.lancenet.com.br
# Noticias da Partida: blogserflamengo.com/100-anos-de-fla-x-flu
# Todos os Jogos da Seleção desde 1914: jogosdaselecaobrasileira.wordpress.com
.:: Galeria de Imagens ::.
O goleiro Marcial, do Flamengo, evita o gol tricolor;
Crédito da Imagem: jornalheiros.blogspot.com.br
O ponta-direita Espanhol, do Flamengo, passa pelo lateral-esquerdo Altair.
Crédito da Imagem: jornalheiros.blogspot.com.br

# Crônica de Nelson Rodrigues sobre a final:


Continuo Tricolor

Amigos, ao terminar o grande Fla-Flu, o profeta tratou de catar os trapos e saiu do Maracanã, mas de cabeça erguida. Era um vencido? Jamais. Vencido, como, se temos de admitir esta verdade límpida e clara – o Fluminense jogou mais. Não cabe, contra a evidência da nossa superioridade, nenhum argumento, sofisma ou dúvida. Alguém dirá que o profeta não previa o empate.

Exato. Mas vamos raciocinar. Houve lances, no Fla-Flu, que escapariam à vidência até de um Maomé, até de um Moisés de Cecil B. de Mille. Lembro-me de um momento, em que Marcial estava batido, irremediavelmente. O arco rubro-negro abria seus sete metros e quebrados. E que fez Escurinho? Enfiou a bola na caçapa? Consumou o “goal” de cambaxirra?

Simplesmente, Escurinho levantou para Marcial. Deu a bola na bandeja como se fosse a cabeça de São João Batista. E eu diria que nem Joana D’Arc, com suas visões lindas, ou Maomé pendurado no seu camelo, ou o Moisés de Cecil B. de Mille, do alto de suas alpercatas – podia imaginar tamanha ingenuidade. Escurinho teria de chutar rente à grama, ou alto, se quisesse, mas teria de chutar e nunca suspender a bola.

E tem mais. Os profetas de ambos os sexos jamais poderiam contar com a trave. No segundo tempo, Escurinho mandou uma bomba. Nenhum “goal” foi tão merecido. Pois bem: – vem a trave e salva. Além do mais que Maomé, ou que Moisés podia calcular que Solich ia fazer jogo para empate? Dirá o próprio que não foi esta a sua intenção. Mas o fato incontestável é que ele armou o time para o hediondo 0 x 0.

É obvio que, desde o primeiro minuto, o Fluminense teria de se atirar todo para a frente. Era preciso forçar a decisão, o”goal”, a vitória, já que o empate seria a catástrofe. O tricolor jogou bem e, no entanto, não deu, nunca, a sensação de fome e sede de “goal”. Faltavam uns 15 minutos, e os nossos jogadores ainda tramavam, ainda faziam tico-tico, ainda perdiam tempo com passes curtos, para os lados e para trás. Sim, o Fluminense jogou bem e não cabe preciosismo num último Fla-Flu.

Já contra o Bangu, aconteceu o seguinte: – sempre que Oldair avançava, eis que Solich erguia-se na boca do túnel e fazia um comício. Oldair marcou dois “goals” por desobediência e repito, por indisciplina tática. Ontem, ele estava cá atrás, defendendo um empate que seria a vitória do Flamengo. Vejam que tristeza horrenda: – jogamos bem e errado.

Dizia eu que o profeta estava certo no mérito da questão. O tricolor é o melhor, foi melhor, teve mais time. Mas há, claro, um campeão oficial, que é o Flamengo. E aqui, abro um capítulo para falar da alegria rubro-negra, santa alegria que anda solta pela cidade. Nada é mais bonito do que a euforia da massa flamenga. À saída do estádio, eu vi um crioulão arrancar a camisa diante do meu carro. Seminu, como um São Sebastião, ele dava arrancos medonhos. Do seu lábio, pendia a baba elástica e bovina do campeão.

Mesmo que eu fosse um Drácula, teria de ser tocado por essa alegria que ensopa, que encharca, que inunda a cidade. Eu não sei se o time do Flamengo, como time, mereceu o título. Mas a imensa, a patética, a abnegada torcida rubro-negra merece muito mais. Cabe então a pergunta: – quem será o personagem da semana de um abnegado Fla-Flu tão dramático para nós? Um nome me parece obrigatório: – Marcial. E nessa escolha, está dito tudo. Quando o goleiro é a figura mais importante de um time, sabemos que o adversário jogou melhor. Castilho teve muito menos trabalho. Claro que eu não incluo, entre os méritos de Marcial, o “goal” que Escurinho não fez. Tão pouco falo na bomba que o mesmo Escurinho enfiou na trave. Assim mesmo Marcial andou fazendo intervenções decisivas, catando bolas quase perdidas.

Amigos, eu sei que os fatos não confirmaram a profecia. Ao que o profeta só pode responder: – “Pior para os fatos!” É só. (O Globo, 17/12/1963)

# Fonte: www.jornalheiros.blogspot.com.br/recordar-e-viver-o-fla-flu-de-1963


.:: Seleção Brasileira de Futebol ::.
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